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    Angola defende a criação de indústrias nos países africanos

    O ministro da Agricultura e Florestas, António Francisco de Assis, defendeu, ontem, em Naioribi, Quénia, que os países africanos devem procurar criar as suas próprias indústrias que sejam capazes de produzir fertilizantes de acordo com as características climáticas, dos solos e ambiente para o desenvolvimento da agricultura.

    António de Assis discursava na abertura da Cimeira Especial sobre Fertilizantes e Saúde dos Solos em África, em representação do Chefe de Estado angolano, João Lourenço.

    A Cimeira, subordinada ao tema “Ouvir a Terra”, é organizada pela União Africana e traduz-se numa plataforma de abordagem das soluções tendentes a melhorar a fertilidade, produtividade e a saúde dos solos, no sentido de promover o crescimento económico africano com base numa agricultura resiliente aos impactos das alterações climáticas.

    Chefiada pelo ministro António de Assis, a delegação angolana é integrada pelos embaixadores no Quénia, Sianga Abílio, e na Etiópia, Miguel Bembe, além de altos funcionários do Ministério da Agricultura e Florestas.

    Apesar do continente produzir cerca de 30 milhões de toneladas métricas de fertilizantes minerais por ano, muitos países africanos continuam a depender fortemente das importações, o que os torna vulneráveis aos choques do mercado, afirmou, ontem, em Nairobi, Quénia, a comissária da União Africana para a Agricultura, Desenvolvimento Rural, Economia Azul e Ambiente Sustentável.

    Josefa Sacko fez a afirmação na abertura da Cimeira Especial sobre Fertilizantes e Saúde dos Solos em África, na qual o Chefe de Estado angolano, João Lourenço, é representado pelo ministro da Agricultura e Florestas, António de Assis.

    Segundo a comissária da União Africana (UA), o consumo de fertilizantes em África só aumentou de 8 quilogramas para menos de 25 quilogramas por hectar desde 2006, muito abaixo do objectivo de 50 kg/hectare.

    De acordo com a diplomata angolana ao serviço da UA, dados compilados para 53 países em África referem que o consumo de fertilizantes (quilogramas por hectare de terra arável) varia entre 0,03 no Sudão, 1,04 na Somália, 542,47 nas Ilhas Seychelles e 542,57 na República Árabe do Egipto, o valor mais elevado registado por um país africano.

    “Infelizmente, 22 países africanos registaram um consumo de fertilizantes inferior a menos de 10 quilogramas por hectare”, lamentou Josefa Sacko, que apontou, em comparação, alguns países que atingiram a suficiência alimentar, como a China, com 274,8 quilogramas por hectare, Alemanha (130 kg/hectare) e Canadá (126,1kg/hectare).

    A comissária da UA salientou que, apesar dos múltiplos esforços, África está aquém dos objectivos da Declaração de Abuja de 2006 e a actual crise Rússia/Ucrânia, devido à dependência de vários países africanos de cereais e fertilizantes provenientes destes dois países, revelou a grande lacuna que o continente atravessa.

    “Estamos perante um dilema: temos a necessidade urgente de construir a soberania alimentar em África, aumentando a produtividade com o objectivo de alimentar 2,4 mil milhões de pessoas até 2050”, alertou.

    A Cimeira, que encerra amanhã, vai avaliar o estado da saúde dos solos em África e, ao mesmo tempo, analisar os progressos realizados desde a Declaração de Abuja de 2006, que tinha como objectivo aumentar a utilização de fertilizantes para o crescimento agrícola.

    O tema do evento, “Ouvir a Terra”, procura explorar a actual condição dos solos de África com a mentalidade de que existem múltiplas soluções – incluindo fertilizantes – que devem ser implementadas rapidamente para evitar o agravamento da segurança alimentar e nutricional em África.

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